Melancolia e Luz equilibradas e unidas pelo prazer da escrita d'um mortal que escreve para saber quem é, antes que se perca de si...
Aqui, estarão os melhores - e piores - poemas que ja escrevi e li, e que sem duvida causaram em mim um sentimento de surpresa, auto-conhecimento e paixão...
Irreverente e dominado pelo desejo de realizar mudanças em mim e em tudo e todos a minha volta; um pouco de louco, um pouco de santo, altruista e insano; um poeta, um ator; um homem com sorriso radiante e encantador, um bonitão na pista de dança esperando ser convidado para dançar; um ser excentrico e anormal. Prazer em conhece-lo (a) meu nome é Saymon, Alân Saymon.
Quem éramos nós antes de nos
conhecermos? Vazios de afetuosidade ou cheios de entusiasmo vivaz? Já nem
lembro mais se costumava sorrir efervescidamente dias antes de te internalizar
em meus dias... Lembras de como te sentias antes de cruzarmos nossos caminhos?
Tenhamos ambos uns momentos de
intensa sinceridade interior e analisemos uma questão há muito tempo talvez não
refletida: que sentimento e razão preenchem nossos sonhos gozados na realidade
desde que nos entregamos um ao outro – nos entregamos verdadeiramente um ao
outro? O sentido que nos move hoje é realmente mais potencial e permanente do
que a energia que nos consumia antes de dividirmos nossos dias? Não estávamos melhores
sozinhos?
Parece-me que quanto mais o tempo
cumpre seu papel não compreendemos as lições que o mesmo tem para nos revelar;
reconhecer em nós a amabilidade que temos um ao outro não foi suficiente para
que esta direcionasse nossas ações, pois estas jamais nos trariam tanta
angustia, tanta lagrima e tanta decepção quanto as que tenhamos suportado.
Estamos melhores juntos mesmo? Estamos
prontos para suportar a resposta que temos um no outro? O que resta de nós?
Não existe mais
sintonia entre nós, seu tempo chegou demasiadamente rápido para mim e meu
momento talvez tardio demais para você, e quanto ao nosso tempo - aquele que
deveríamos construir juntos - este, parece-me estar se passando e entregando-se
a monotonia pueril que tem sido nossos encontros.
Por sua ótica, assim
como para mim, nosso enlace não começou num ambiente favorável a nossa imagem pessoal,
entretanto, nos minutos seguintes, aqueles após eu ter te analisado dos pés a
cabeça, reprovando tua aparência e tuas vestes, foram-nos essenciais para
desconstruirmos previamente o conceito que tivemos um do outro, mas apesar
disso, não te dei momentânea importância, até o instante em que me demonstraste
interesse, deixando-me um recado pela rede social.
Eu vi na tua
perdida e emotiva solidão uma candidata a valsar as noites com meu instantâneo
recolhimento, mas quando nos entregamos à escuridão banhada de diamantes no céu,
a pista de dança não nos foi um palco feliz, interpretamos os personagens dos
quais não havíamos ensaiado e embora tenhamos conseguido comover a nós mesmos e
aos que nos rodeavam, estragou nossa história, como se nosso sentimento fosse
perecível e naquele momento tivesse apodrecido
No segundo ato “en
la pista de baile” fui capaz de perceber meu erro, nosso erro e implorei teu
indulto pelos dias seguintes de dessemelhantes maneiras, desejei cortejar tua
solidão e a resposta que me destes foi de não sentir-se em teu momento e que
seria agora minha vez de aguardar teu ato de estar em si...
Nossos períodos individuais
nos presentearam com nossos respectivos padecimentos singulares, mas nossa fase,
aquela em que deveríamos galantear um ao outro, talvez não nos corteje com um
beijo, “our time is running out...”
E todas as duvidas e remorsos que a
tempos vagam longe mim, resolvem visitar-me. Enquanto isto, minhas forças,
despiram-se de suas fantasias e delicados sonhos para recebe-las aconchegantemente
convidando-as para um diálogo íntimo e pessoal…
- Com que direito aparecem indesejamente
sem comunicar-me e trazem consigo todas estas malas como se tivessem voltado
com a pretensão de ficar? Já não nos despedimos anteriormente? Não acertamos
todas nossas dividas?
-
Quanta agressidade meu querido! Já fostes mais receptivo… esqueceu que te
deliciavas com toda a confusão que te proporcionavamos e que adoravas
embriagar-se em cada gota de dor que te ofereciamos? Esqueceu que todo o
padecimento com o qual te presenteamos foram a grande inspiração para que escrevesses
teus mais belos – e mízeros – poemas dos quais tanto te orgulhas? Alias, por
onde anda toda aquela insanidade poética presente em teus escritos? Que tantas
cores, risos e luzes são estas que aos poucos vêm preenchendo teus versos?
Resolvestes encantar teu mundo iludindo-te novamente com todas essas químeras
com as quais os humanos vivem a respirar?
-
Eu quase fui destruido, mergulhei num oceano de gritos apavoradamente
ensurdecedores, os ruidos me impediam de ouvir a voz de Deus quando o mesmo
queria falar comigo, cheguei a acreditar que havia sido abandonado ate mesmo
por Ele, quase perco minha fé, juntamente com tudo que vocês levaram de mim:
minhas esperanças, sonhos, fantasias, admirações… alias, é isto que trazem na
bagagem? Vieram devolver-me tudo o que me foi levado anos atrás? Pois se este é
o proposito de vossa visita podem ir embora, afinal não puderam acorrentarmeu coração e leva-lo junto, e dentro dele,
eu reconstrui tudo o que me foi tirado… eu aprendi com Wilde a enxergar “A
Beleza da Dor”, mas hoje, assim como ele, ou talvez mais intensamente que o
mesmo, eu compreendo seu significado… nunca fui viciado ou apaixonado pelo
padecimento e quando me vistes abraçado a ele não estava desfrutando de nenhum
momento de prazer masoquista, eu apenas quis acalma-lo, ouvi-lo empaticamente e
compreender o real proposito com o qual o mesmo vinha me visitar, até que
enfim, ele revelou-me que sua visita a minha vida, deu-se como um desafio que
deveria enfrentar para que pudesse amadurecer, este é o propósito do
sofrimento: o amadurecimento…
-
Mas que bela reflexão! Então não iras incomodar-te se trazermos de volta todos
os motivos e lembranças que te fizeram sofrer anteriormente, não é mesmo?
Afinal, vocês deram-se tão bem e o mesmo te trouxe um presente tão sublime com
o passar dos anos, como continuaras a amadurecer sem teu padecimento? (risos
cínicos)
-
O sofrimento é como um mensageiro, vem com o proposito de dizer-te algo, mas
deve ir embora após isto, não se pode torná-lo seu amigo, por isso, já não o
receberei em minha casa, em meu coração, muito menos em minha vida e esta mesma
vida me mostra a cada novo dia formas diferentes de amadurecer. Padecer, foi
apenas uma dela…
-
Mas e qual será a razão de teus poemas de alma dadaista e influência gótica? Iras
continuar a preencher aos poucos teus versos brancos com toda essa afetividade
ressonante? Por que escrever sobre ternura se a melancolia te cai tão bem?
Lembra que odeias contos de fadas e que nunca soubestes criar finais felizes? A
quem queres enganar afinal? A ti mesmo e aos que lerem teus escritos? E se é
hoje és tão feliz e maduro como nos diz por que razão escorrem essas lágrimas
de teu rosto agora neste teu semblante tão apático?
-
Fui intensamente introspectivo quando mais jovem, o lapis e o papel eram os
únicos amigos que tinha e com os quais podia desabafar meus sentimentos… sempre
emocionome-me quando lembro disto e de quanto eu mudei e amadureci…essa foi a
primeira dentre as inumeras razões pelas quais comecei a escrever meus tristes
poemas: a necessidade de expressar-me! E sim, eu confesso, apaixonei-me perdidamente
por isto, mas hoje, sabiamente consigo identificar que minha paixão esta
inteiramente ligada ao hábito da escrita e não a tristeza com a qual preenchia
as linhas tortas que escrevo. Continuo, não gostando de contos de fadas, mas já
aprendi a escrever finais felizes, desde que foi-me ensinado o significado do
perdão… É dificil demais viver com tantas duvidas e remorsos no coração, eu
precisei e diariamente continuarei a necessitar libertar-me, por isso, indultem-me
por minha gosseira atitude, mas não continuarei a dar-lhes atenção e terei que
convidar-lhes a retirarem-se de minha casa, nela, já não lugar para tanta dor…
Adeus!